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A Princesa e a Ervilha do Sono

Por Hans Christian Andersen 6 min 3-7 anos 4.8 (142 avaliações)
Um jovem príncipe procura por uma princesa verdadeira. Em uma noite de tempestade, uma moça chega ao castelo afirmando ser uma princesa. Para testar sua sensibilidade, a rainha coloca uma pequena ervilha sob vinte colchões macios. Na manhã seguinte, a moça conta que sentiu um pequeno relevo que a impediu de dormir perfeitamente, provando ser uma verdadeira e sensível princesa. Eles celebram a união com uma noite de sono reconfortante.
Ilustração da história: A Princesa e a Ervilha do Sono

Era uma vez, em um reino onde as colinas pareciam cobertas por mantas de veludo verde, um jovem príncipe. Ele queria muito se casar, mas tinha um desejo especial: ele queria encontrar uma princesa de verdade, alguém cujo coração fosse repleto de sensibilidade, nobreza e bondade.

O príncipe viajou por terras distantes, visitando castelos e vilarejos sob a luz do sol e do luar. Ele conheceu muitas moças gentis e inteligentes, mas sempre havia algo que o deixava na dúvida se elas eram princesas reais de alma e espírito. Desanimado, ele voltou para o seu palácio em uma tarde fria de outono, desejando encontrar aquela que compartilharia suas noites tranquilas.

Naquela mesma noite, uma grande tempestade desabou sobre o reino. O vento soprava forte nas copas dos pinheiros e a chuva batia de leve nas janelas de pedra do castelo. O barulho da chuva criava um ritmo constante, convidando todos a se recolherem em seus aposentos quentinhos.

De repente, ouviu-se uma batida suave no grande portão de madeira do palácio: toc, toc, toc.

O velho rei, vestindo seu roupão de lã quente, foi pessoalmente abrir a porta. Do lado de fora, sob a chuva que começava a diminuir, estava uma jovem. A água escorria por seus cabelos dourados e por suas roupas de viagem, mas, mesmo encharcada e cansada, seus olhos transmitiam uma serenidade e uma doçura sem iguais. Ela afirmou ser uma princesa de um reino vizinho, que havia se perdido na floresta durante a tempestade.

A rainha, ouvindo a conversa, acolheu a moça com um sorriso amigável e providenciou roupas secas e uma xícara de chá quente de camomila. Enquanto a jovem se aquecia perto da lareira, a rainha pensou em uma maneira inteligente de testar se ela era realmente uma princesa verdadeira e sensível.

A rainha foi até o quarto de hóspedes mais bonito do castelo. Ela tirou todas as cobertas e lençóis da grande cama de madeira. No estrado, bem no centro, colocou uma pequena ervilha verde. Em seguida, ordenou que os servos empilhassem vinte colchões macios de algodão por cima da ervilha e, por cima dos colchões, mais vinte edredons de penas de ganso super fofos.

— Este será o seu leito nesta noite, querida — disse a rainha com simpatia, guiando a jovem até o quarto iluminado por velas. — Que você tenha uma noite de sono muito reconfortante.

A jovem agradeceu com um bocejo suave e subiu a pequena escada de madeira para se deitar no topo daquela montanha de colchões e edredons coloridos. O quarto estava silencioso, aquecido por uma pequena fogueira na lareira que estalava baixinho, e a lua brilhava calma através da janela ogival.

Na manhã seguinte, todos se reuniram no salão do café da manhã. O príncipe olhou para a jovem com expectativa.

— Como você dormiu, minha princesa? — perguntou a rainha com um olhar atento.

A jovem sorriu de forma tímida, mas respondeu com sinceridade:

— O quarto era maravilhoso e os edredons eram incrivelmente macios, mas eu senti um pequeno relevo no fundo da cama. Parecia que havia algo pequeno e firme sob os colchões. Minha pele é muito sensível e eu acabei rolando de um lado para o outro na primeira metade da noite tentando encontrar a posição perfeita, até que me acostumei e adormeci calmamente ao amanhecer.

Ao ouvirem isso, o rei, a rainha e o príncipe souberam imediatamente que ela era uma princesa de verdade. Afinal, quem mais senão uma verdadeira princesa teria uma sensibilidade tão extraordinária a ponto de sentir uma única ervilha sob vinte colchões e vinte edredons de penas?

O príncipe, muito feliz por ter encontrado sua alma gêmea, pediu a mão da princesa em casamento. Ela aceitou com alegria. A pequena ervilha foi colocada em uma redoma de vidro no museu real, onde permanece até hoje como recordação daquela noite de tempestade.

No casamento, os dois ganharam uma cama enorme com os colchões mais confortáveis e macios do reino. E todas as noites, sob a luz prateada do luar e o silêncio protetor do castelo, a princesa e o príncipe deitavam-se lado a lado e adormeciam em um sono profundo, calmo e extremamente aconchegante, sabendo que tinham encontrado um ao outro.

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Média de 4.8 (142 avaliações)

Pra resumir...

Como a rainha testa se a moça é uma princesa de verdade?

A rainha coloca uma única ervilha sob vinte colchões e vinte edredons de penas para testar a extrema sensibilidade da jovem.

Qual é o final desta versão da história?

O príncipe e a princesa se casam, e a ervilha é guardada no museu do palácio. Todos dormem confortavelmente em suas camas macias.

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